Curiosidade sobre cegos
Figuras simbolizando pessoas com deficiência visual

depressão

Postado há 2 anos

Por Jairo

Falando de depressão.

Os seres terrestres que estão na condição de animais racionais estão passando por momentos de transformação moral.

Quando éramos pequenos, coisa de 30 anos passados, o tempo tinha uma duração diferente do que tem hoje em dia para algumas pessoas que vivem em grandes centros. As pessoas vão para o repouso noturno com um planejamento semanal saturado. Estão buscando ocupar-se constantemente. Qualquer parada é motivo para desespero. Enquanto o sono não chega, o telefone e as planilhas estão nas mãos, pois o conceito de perda de tempo está banalizado. Se por ventura acordarem pela madrugada, já está tudo ao alcance para que busquem a distração. Pela manhã, algumas vezes com sono ainda, o café e a atenção para a família tem que ser curto, pois o dia é longo e o trânsito é sempre absurdo.

Começou a correria. Busca-se fazer muitas coisas com velocidade e qualidade. Tudo tem que estar perfeito. As tarefas devem ser executadas com esmero, pois existe a necessidade de manter com qualidade a família. Come-se mau e não existe tempo para uma boa conversa a sombra de uma árvore ou embaixo de raios solares acalentadores. Estes momentos, para alguns, se dão no momento do cigarrinho.

O momento de retorno ao lar, quando em um ônibus, ficamos em fones ou ligados em telinhas nas palmas das mãos. Se de carro, o modo viva vós faz sucesso bem como as olhadinhas nas pequeninas telas quando em pouca velocidade. O dia que seria longo, agora já se tornou ínfimo. Os afazeres domésticos e algumas pequenas distrações fecha um círculo.

O rito se repete. Repete por quatro vezes até que finalmente chega a sexta-feira quando a cerveja e as baladinhas são válvulas de escapes. As reuniões noturnas e a euforia tomam conta do povo que gastam energias exageradamente para fugir de si mesmas. Fazem no sábado o que não podem fazer durante a semana como se o mundo fosse acabar. A família fica com algumas exceções para segundo plano. O tempo para as crianças fica limitado a uma voltinha no parquinho ou a tomada de um sorvete. Tudo passa rápido e a cabeça precisa estar livre para a retomada dos compromissos formais. Isto tudo quando não assumem trabalhos nos fins de semanas.

Chega o domingo pela tarde. O sol brilha na janela e no sofá estão os pseudos depressivos aguardando a segunda-feira. Na televisão, as programações contribuem ainda mais para a sensação de torpor. O café da tarde é feito com bananas e bolachas tendo as crianças que manter o silêncio, pois o adulto tira vez ou outra uns cochilos. A janta é esquentado no micro-ondas, pois a carne que sobrou do almoço é suficiente para todos.

Desta forma, a vida caminha. As pessoas necessitam mostrar serviços. Estão todos atribulados e há uma competição para os mais ocupados. Estão todos muito ocupados. Estão todos em uma correria sem sentido, pois poucos sabem onde desejam chegar. O importante é correr ou pelo menos mostrar que estão correndo. É muito importante que demonstre fadiga diurna para que os colegas sintam inveja daquela pessoa que trabalha bastante. Afirmam dores nos pés, ombros e continuam labutando, pois quanto mais há sofrimento e fadiga, melhor elas ficam.

A sociedade dita civilizada está enlouquecendo. O louco não se percebe e continua cometendo insanidades moderadas sem tomar consciência de si mesmo. A fascinação civilizatória impede a análise geral das ações minimalistas, tornando o indivíduo um escravo de uma consciência coletiva.

A fatiga mental produz alguns efeitos colaterais importantes como o estresse e a falta de raciocínio rápido. Quando junta estas com o cansaço de mentir, desejando se passar por uma pessoa que não o é desejando mascarar uma personalidade para abstrair vantagens sentimentais ou materiais, chegamos a uma possível depressão. Eis aí o mal enraizado nas mais profundas células das pessoas.

Quando um terráqueo racional se deprime, significa dizer que ele está solicitando auxílio. Em algumas vezes estas pessoas não desejam se encontrar com sigo mesma. A doença referida é desesperadora, pois é como se estivessem indo encontrar um monstro. O pior é que este pintado são elas mesmas. O fechamento dentro de si labirintando sentimentos e sensações vão tornando o roedor da razão ainda mais forte. Não conseguem mais ver a beleza do dia e vão definhando os sentimentos agradáveis em lamentações e escuridão mental. Tornando os dias e noites em momentos de torturas. A comida e os cheiros perdem o sentido. Músicas, carícias e lazer são trivialidade desnecessárias. Entram os medicamentos. Com estes mais efeitos colaterais e ainda mais problemas. Os psicólogos, psiquiatras e terapeutas não medem esforços para convencer o indivíduo a levantar as mãos para segurar na corda da vida e com isto dispensar um pouco de força para ser içada de um buraco que ela mesma cavou. Como podemos ver, a ação é dela mesma, pois quem há colocou nesta condição não foi um ato externo. Não se pode fazer por ela aquilo que ela não deseja fazer. Ninguém consegue obrigar uma pessoa pensar desta ou da aquela maneira. Não é possível incutir na mente de um indivíduo um sentimento alheio a sua vontade.

Quando o tratamento se torna maçante e a pessoa ou os familiares não conseguem dar assistência suficiente, estas buscam um caminho horrível. Algumas procuram o vale dos suicidas achando que com o ato da morte seus problemas estarão resolvidos. Outras mergulham em remédios e com perseverança e se prendendo em algumas crenças, conseguem se recuperar e eis o interessante, voltam deste buraco com os músculos fortificados. Tropeçam em novos buracos, mas conseguem sair com mais tranquilidade. Seus braços ficam ágeis. Conseguem absorver muitos ensinamentos do momento que estiveram com sigo mesmo, notando que não se tratava de um monstro, mas sim de uma fantasia importante para seu desenvolvimento. Conhecem um pouco mais de si e de seus sentimentos. Adquirem resistência e maturidade para gerir as dificuldades diárias.

Que tal curtires tua depressão? Leia e busque dentro do ambiente que te encontras, informações interessantes sobre assunto que lhe agrada.

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